Divagações de um viajante


  • Certa vez eu estava em cima de uma bicicleta, numa viagem de 600km com um amigo, e me peguei observando e me indagando sobre o que me cercava ali. “Por que o tempo parece parar quando saímos do frenesi das cidades?”; “Por que nós insistimos tanto em mergulhar no mar de informações e relações sociais que por si só dominam as metrópoles?”. Essas foram algumas das perguntas que me fiz na época. Indagações assim parecem não ter fundamento se pensarmos que nós não precisamos de tudo isso que nos cerca nas cidades. A verdade é que exageramos muito. Adquirir e saber informação, criar, inventar e alimentar relações sociais se tornaram vícios na sociedade ocidental contemporânea.

  • Ali em cima da bicicleta, cercado pelas florestas, vales, mar e plantações eu sentia menos necessidade dos luxos da cidade. Pão com queijo e tomate me bastavam como refeição, então pra que caviar, foie gras, spaghetti al sugo e outras delícias quando um pãozinho basta? Isso serve pra nos mostrar o quanto a natureza nos influencia. Os animais comem só o que precisam, e naquele contato com o selvagem eu me via como um simples animal: me alimentando frugalmente, porém saboreando meu alimento com mais intensidade do que na vida urbana, pois não havia nada que me tirasse a atenção.

  • Essa viagem não me mostrou que eu devia abandonar a cidade e os costumes urbanos pra me isolar na natureza, e sim pra que eu aprendesse que devemos limitar o fluxo de coisas que nos chegam por influência da vida na metrópole, pois que elas enchem a nossa mente de coisas dispensáveis, nos levando a não sentir mais o sabor e o cheiro das coisas simples que nos rodeiam. Paremos um momento pra pensar no meio do caos em porque existe  o tempo presente. Nós vivemos no passado e no futuro, no entanto a natureza vive somente o presente. Foi isso o que me chamou mais a atenção quando mergulhei nesse mundo inóspito por alguns dias. Soltem-se das amarras que os prendem e saboreiem a liberdade que lhes é dada pelo presente: vivam!



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