Crianças e monstros – uma relação subestimada e incompreendida


O que as crianças pensam e sentem quando são oprimidas pelos pais, ou quando sofrem com seus próprios dilemas?  Eu não sei dizer exatamente, até por que esses humaninhos misteriosos são indecifráveis, apesar de toda a sinceridade dos seus sorrisos, olhares e expressões.

Eu gosto de acreditar que, dentro de suas mentes habitam vários monstros, cada qual correspondendo a uma emoção ou sentimento da criança. A partir dessa crença, é possível imaginar porque eles são tão confusos e ao mesmo tempo hipnotizantes.

Arrisco até a dizer que cada monstro se manifesta num momento diverso, ou até mais de um num momento de indecisão. Nós também temos nossos monstros pessoais, entretanto, não somos tão honestos e puros conosco mesmos como uma criança.

Muitas vezes chamamos um garotinho de fofo quando está chorando, ignorando tudo o que pode potencialmente estar acontecendo em sua mente. Por que nós adultos tendemos a subestimar o poder das crianças? Por que só nós sabemos o que é sofrer por amor ou por que perdemos alguém?

Esses pequenos também são capazes de ter sentimentos e emoções tão complexas quanto as nossas, mas insistimos em tratá-los como se fossem bonecos com os quais brincamos e nos divertimos quando queremos.

Eu tive algumas experiências boas com os pequeninos, e sinceramente, aprendi mais sobre a vida e sobre relacionamentos interpessoais com eles do que com os adultos. É mais fácil aprender com eles, devido à clareza com a qual a suas idéias nos são transmitidas, sem os mecanismos complicados que os adultos insistem em utilizar.

Para finalizar, faço uma pergunta para ser interiorizada e refletida com paciência e sabedoria: Como podemos querer mudar o mundo, transformando-o num lugar melhor, sem compreendermos verdadeiramente as nossas crianças? Por que privá-las de serem si mesmas para se tornarem “enquadrados” como nós? É esse o futuro que queremos, continuamente gerando essas pequenas maravilhas, para então transformá-las em indivíduos desprovidos de consciência de si mesmos e mais preocupados com a sua conta no banco do que com seus próprios familiares? Pensem bem…e até a próxima crônica.

Crônica baseada na interpretação do filme “Onde os monstros vivem” de 2009.

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