Devaneios e ensaios da mente humana


Nós somos o que pensamos ou pensamos o que somos? Nós controlamos a nossa mente, ou é ela que nos controla? Qual é a diferença entre o real (o que se vê) e o imaginário (o que se pensa)?

Eu já me fiz essas perguntas. Mais de uma vez. E não consegui estabelecer uma linha realmente fiel, crível, que pudesse diferenciar esses opostos.

No entanto, eu descobri que, para certas situações e momentos a capacidade mental faz toda a diferença. A potencialidade que a mente tem de extrapolar os limites “visíveis” da imaginação e do Espaço / Tempo é de impressionar até os mais desconfiados e incrédulos.

Era uma vez Emese (se pronuncia Emeche), uma pequena, esbelta e sorridente húngara de Budapeste. Ela foi à França, para um encontro religioso, e lá, por acaso, me conheceu. O que nos levou ao conhecimento mútuo foi a troca de olhares, que aliás são ferramentas poderosíssimas, usadas de forma nem sempre inteligente, para conquistar, se comunicar e trocar sensações.

Na primeira troca de olhares ela já me causou curiosidade pela forma que retribuiu e sorriu. Logo depois nós estabelecemos um contato mais íntimo, sob a forma de uma apresentação formal e alguma conversa. E depois dessa introdução parece que as nossas mentes se interligaram. Toda vez que os nossos olhos se encontravam a minha mente simplesmente transformava a minha noção de Espaço / Tempo. Era como se durante UM segundo (o tempo de um olhar) durasse UM minuto. Me dava a sensação de que eu estava em outro mundo, como se eu estivesse na mente dela, no mundo dela. É claro que eu não podia ver com clareza o que acontecia na minha mente, eu simplesmente sentia algo forte e incrivelmente radiante me invadir. Trocar um olhar com ela era como entrar em outro mundo, viver um momento que na concepção humana é difícil de explicar e até de compreender.

Até hoje não sei explicar o porquê do que me aconteceu. É sabido que nós somos limitados, até por que não somos capazes (pelo menos a maioria) de usar a nossa mente na sua plenitude e potencialidade. O que eu vivi foi algo muito além das ilusões a que estamos acostumados a ter, essas decorrentes de processos mentais que ainda desconhecemos. Foi uma experiência transcedental, e que acontece quando estamos em harmonia com tudo ao nosso redor. É preciso uma certa tranqüilidade interna pra que se possa viver uma situação dessas. Não é fácil entrar em sincronia com outra pessoa.

O que me fez ter certeza da credibilidade dessa experiência é que ela foi única, o que certamente as nossas ilusões não são. A mente está sempre ativa, assim criando e extinguindo fatos e ilusões a todo momento. Se prestarmos atenção dá pra perceber a maioria das situações ilusórias que nos cercam. Mas uma vivÊncia de momento tão intensa como a relatada não pode ser simplesmente um artefato virtual. Não quando envolve sensações que duas pessoas sentiram simultaneamente durante o processo.

Tudo isso só para dizer que a mente tem mecanismos traiçoeiros,  e outros simplesmente fantásticos a ponto de alterarem as nossas percepções em tempo real.

Não sei se cabe a  nós desvendar os mistérios da mente humana, mas saber aproveitar os que se mostram a nós, ah isso sim nós podemos e devemos fazer, para assim tentarmos entender melhor o mundo e a nós mesmos.

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