Sexo: prazer, emoção, e quem sabe, união


Sexo. Hoje tão  banal, politizado e fútil. Eu não vivi para ver como este foi tratado pela sociedade em outras épocas. A história pode nos dizer isso, mas não acredito piamente nela, afinal quanta manipulação não há por trás do que conhecemos como História da Humanidade. Prefiro então acreditar no que eu vivo e vejo “in persona” na vida, pois nesse caso posso atestar a veracidade.


Meu objetivo aqui é compartilhar uma experiência que me ocorreu há alguns anos. Naquela época eu vivia uma vida mais tranqüila, num país em que cidade grande não existe (em sua maior cidade haviam 350.000 habitantes), em que as pessoas têm menos stress, mais contato com a natureza, mais tempo pra viajar e são menos “intrusivas”, ou seja, se involvem menos  na vida alheia. Além disso, eu seguia (na verdade ainda sigo) uma  certa filosofia de vida, baseada na vivência de experiências e na posterior absorção e compreensão das mesmas.


Toda essa descrição do contexto é de suma importância, pois que ela nos ajudam a ter uma idéia de porque tal pessoa agiu de tal maneira, além de darem uma noção de como se deve analisar o que será apresentado.


Pois bem, vamos aos fatos. Eu confesso que nunca aceitei  a  visão simplista sobre o sexo, de que ele precisa de um contexto de namoro, casamento, ou prostituição. Essa é uma visão,  ao meu ver, muito fechada, como se sexo fosse uma ferramenta a ser utilizada em situações mecanicamente pré-determinadas pela sociedade, e não um fato biológico fluido, que necessita não de regras, mas sim de harmonia, intenção e emoção para que realmente cumpra a sua função. Nós não somos animais comuns, que acasalam por necessidade puramente reprodutiva, e sim seres que têm sentimentos, emoções, percepções e sensações , às vezes bem profundos, e que nos levam a vivenciar mais intensamente os momentos e prazeres da vida, e o mais importante: refletir sobre eles.


Certa vez eu vivi momentos inesquecíveis com uma mulher, e eles me fizeram refletir o suficiente pra produzir esta crônica. Eu gostava muito dela, e ela de mim. Nós passamos uma semana juntos durante as férias de inverno, e durante esse tempo tivemos uma experiência marcante no que toca o sexo. Ela não foi marcante só pela boa companhia, mas também pela sintonia que havia entre os dois. Eu sabia o quê e quando ela queria, por isso não foi difícil satisfazê-la, e ao mesmo tempo me sentir satisfeito por estar fazendo algo pelos dois.


O sexo começava com uma massagem relaxante, pra tirar o stress do dia e assim tornar as coisas mais prazerosas. A massagem funcionou como preparação não só pra ela, que foi massageada, como pra mim, pois me trouxe uma certa serenidade, permitindo assim uma melhor concentração no que eu precisava fazer. Imaginem que a massagem funcionou como uma meditação naquele momento. Sexo bom é aquele sem pressa, em que nada é forçado ou friamente calculado. Eu confesso ter me sentido estranho ao saber exatamente o que fazer, pois de outras vezes eu me vi perdido. Contudo, pela resposta dela aos meus estímulos e pelos movimentos dela, eu percebi que eu a satisfazia, executando com perfeição e na ordem que ELA queria, e não na que eu queria. Não há como uma transa fluir sem haver uma sintonia entre os envolvidos. E havendo a mesma é possível entrar num estado mental de vazio, tranqüilidade, e a partir daí é que se pode perceber a união de dois seres, com a sensação de dois se tornarem um, de modo que ambos não saibam quem é quem, pois nesse momento não há distinção entre masculino e feminino: são duas almas e corpos unidos e trocando energias.


Para mim foi fantástico ter podido perceber que há mais numa relação sexual do que os nossos olhos e a sociedade dizem. É preciso sentir mais do que tesão para se viver um momento de união como o relatado. A pessoa precisa se abandonar, esquecer do próprio orgulho e pensar no prazer mútuo pra realizar tal união, pois é nos esquecendo sentimentos  egoístas e ambíguos,  que podemos adentrar o mundo das energias sutis necessárias para um sexo de verdade.


É difícil nos dias de hoje as pessoas terem essa noção aprimorada de sexo, pois a sociedade tende a moldar o que somos e pensamos. Não é necessário ter meses de namoro, ou promessas de casamento para ter uma relação sexual satisfatória, e nem é só a relação que faz um relacionamento dar certo, apesar de fazer parte e ser importante na relação a dois. Pra viver algo assim é preciso quebrar pré-conceitos e idéias que nós temos, e nos concentrar no todo que nos cerca, procurando focar no mutualismo.


Concentrem-se no que eu lhes relatei, tentando ao menos prestar atenção nas suas próprias atitudes e posturas em relação ao sexo. Fazer o que eu fiz funciona e dá resultados que vocês levarão pro resto de suas vidas!

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