Eletrônica X Clássica: mitos, preconceitos e novos conceitos…


Música Eletrônica: sinônimo de putz putz  X   Música Clássica: ah que entediante, me dá sono!

Essas são algumas das visões que existem (no Brasil) em relação a esses dois gêneros musicais. Tudo por que nós não temos uma cultura dedicada a eles. Bom, até temos, mas se pensarmos a nível europeu, tanto a cena clássica como a eletrônica se encontram aqui num estágio inicial de evolução.

Há quanto tempo os europeus estão em contato com Beethoven, Bach, Mozart, entre outros?

Há séculos…

Há quanto tempo eles freqüentam festivais eletrônicos, além de ouvirem um bom número  de rádios com programação exclusiva para amantes do som eletrônico?

Há décadas…

Portanto, quem somos nós para julgar a qualidade de algo que começamos há pouco a ter contato e conhecimento?

É algo para se pensar…

Por outro lado, eu não vim aqui dissertar sobre críticas e preconceitos que circulam pela sociedade. O meu papel aqui é evidenciar uma conexão entre os gêneros citados no início deste post.

Conexão essa desconhecida para muitos, e na verdade só é possível percebê-la através de inferências que fazemos SE tivermos crescido sob a influência dos supracitados. Caso contrário só poderíamos perceber através de explicações sucintas feitas por alguém “antenado” nessa ligação.

Eu decorrerei a respeito do gênero clássico e do eletrônico, mais especificamente a vertente chamada Trance (não confundir com psy, nem techno). Essa é uma vertente pouco difundida no Brasil, sendo mais popular na Europa e nos EUA (por aqui a mais tocada e ouvida é o Psy Trance, ou Trance Psicodélico).

E por  ser pouco conhecida, a ligação entre ela e a música clássica passa despercebida aos olhos poucos experientes dos brasileiros.

Do que é feita a música clássica? De uma partitura composta por notas musicais que precisam estar em harmonia e consonância. E o mais importante é que elas formam uma sequência (longa por vezes) que promove um conjunto harmônico.

Em paralelo, a música eletrônica (Trance) é criada a partir de instrumentos analógicos, a exemplo dos sintetizadores, e digitais, como os computadores, gravadores e softwares de edição de som.

O profissional que produz Trance sempre se preocupa com a melodia e sua sequência harmônica. Mas, nessa vertente não é só a harmonia individual que tem importância, e sim o conjunto de faixas musicais, mais conhecido como SET.

Esse consiste em uma sequência de faixas todas entrelaçadas e interconectadas, de forma a não deixar transparecer a transição entre elas, e assim formando um som harmônico, o qual o ouvido segue sem distinguir a troca, e portanto deixando o ouvinte com a sensação de estar ouvindo uma só faixa, e não algumas dezenas (como acontece no SET).

Essa sensação de continuum é facilmente notada na música clássica ao ouvirmos uma sinfonia.

E é aí que jaz a correlação entre esses dois gêneros, dado que ambos se preocupam com a percepção de continuum, de uma só faixa.

Porém, são poucos os Djs aptos a fazer um SET com qualidade o suficiente para exibir um continuum harmonioso e longo.

Há uma significante direfença entre os sons criados por uma orquestra e por um Dj. É óbvio que há…e no entanto, a questão da harmonia os aproxima através do efeito simbiótico (no sentido de que as faixas se complementam de forma ativa) de manutenção de ritmo e consonância.

É fantástico poder observar esse fenômeno. Experimente ouvir uma sinfonia, e logo em seguida um SET de alta qualidade. Ignore as diferenças sonoras, concentrando-se no efeito anteriormente descrito, e dessa forma ficará claro o paralelismo existente entre o clássico e o eletrônico.

Um produtor atento a isso pode enriquecer muito o seu trabalho, por meio da utilização inteligente de regras de um e de outro gênero.

Outro fato passível de observação é a sequência harmônica formada por conjuntos de faixas eletrônicas, o que leva a uma comparação (imperfeita, porém cabível) com os “movimentos” existentes na música clássica.

Esse post pretende servir de teoria àqueles dispostos   verificar a veracidade das comparações e conexões aqui explicitadas e esclarecidas. Por verificar entende-se ouvir os dois gêneros, analisar e observar os fatos decorrentes.

Bom, fico por aqui com mais um post de blogueiro iniciante…até a próxima!

PS: seguem alguns links de música clássica e eletrônica para melhor compreensão.

Nota: a música eletrônica (não só o Trance) surgiu a partir da música erudita, portanto não é tão surpreendente ver que há ligação entre clássico e Trance.

Eletrônica:

http://www.youtube.com/watch?v=D30-gekdyfM

http://www.youtube.com/watch?v=F-wPT-jFHe4

Clássica:

http://www.youtube.com/watch?v=uXwkue2IJnM&feature=fvsr

http://www.youtube.com/watch?v=odHIb7RAnxw

Exemplo de mistura de eletrônico (no caso House e vertentes) com clássico:

http://blogs.emmy.com.br/mundopickup/musica-classica-e-eletronica-combina/post/1506

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2 Responses to Eletrônica X Clássica: mitos, preconceitos e novos conceitos…

  1. rudregues says:

    ¨e na verdade só é possível percebê-la através de inferências que fazemos SE tivermos crescido sob a influência dos supracitados.¨
    não necessariamente… existem muitas coisas que devem ser levadas em consideracão quando se fala em percepcão musical.

    ¨Caso contrário só poderíamos perceber através de explicações sucintas feitas por alguém “antenado” nessa ligação.¨
    idem…

    no mais, parabéns, muito bom ler sobre esse tipo de conexão entre os estilos musicais

    hehehehee

    abracos filéups

    • sim é verdade…mas eu estava me referindo ao aspecto cultural do brasileiro…a maioria de nós não tem muito conhecimento de música clássica, e muito menos de trance…
      culturalmente nós temos pouca experiência com esses gêneros…mas vocÊ tem razão…tendo percepção musical a coisa muda, porém se não temos a cultura de ouvir esses tipos de música, fica mais difícil desenvolver essa percepção…

      valeu pelo comment! abraço

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